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A IUSSP (fundada em 1928), que é uma das principais associações na área das Ciências da População e conta com membros de todos os continentes, visa promover o estudo científico da população, encorajar o intercâmbio entre investigadores de todo o mundo, e estimular o interesse pelas questões populacionais.

A mini-conferência que teve lugar na Madeira reuniu investigadores e especialistas de 3 painéis científicos da IUSSP: o painel de investigação sobre o aborto, o painel sobre as teorias da transição da contraceção e o painel sobre planeamento familiar, fecundidade e desenvolvimento urbano. Por razões que ficarão claras de seguida, o presente texto foca-se neste último painel.

O Painel Científico do IUSSP sobre Planeamento Familiar, Fecundidade e Desenvolvimento Urbano supervisiona um projeto de 4 anos do IUSSP para produzir evidência científica relevante em termos de política sobre os efeitos do planeamento familiar e da mudança da fecundidade no bem-estar urbano (financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates). O projecto concedeu bolsas de 2-3 anos a 15 investigadores em início de carreira na África Subsaariana para realizarem investigação, tendo este encontro na Madeira proporcionado a alguns destes investigadores a oportunidade de apresentar os resultados dessa investigação e discuti-los com demógrafos muitos experientes. Além do objetivo principal do programa, o de chamar a atenção para o planeamento familiar na política de desenvolvimento urbano, outro dos objetivos é o de ajudar a aproximar a investigação das medidas de política, e assim aproximar os investigadores dos decisores políticos. Numa das sessões discutiu-se a dificuldade da ciência em informar as decisões de medidas de política, e do cuidado que os investigadores têm de ter nesse diálogo, num contexto que por vezes lhes é quase hostil quando os resultados científicos não coincidem com os desígnios políticos. É de salientar que neste projeto a investigação foi sendo conduzida, em grande medida, em função das necessidades expressas pelos decisores políticos. Como disse John Cleland, um dos chairs deste painel, talvez isso seja ir demasiado longe. É necessário continuar a fazer ‘ciência sólida’, mas também é necessário ir além da forma tradicional de disseminar ciência – até porque a evidence-base policy continua a ser mais uma intenção que uma realidade.

 

A próxima Internacional Population Conference, em 2025, será em Brisbane (Austrália), mas quem sabe onde será a de 2029?